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25 julho, 2011

Os 7 lugares mais perigosos do planeta


Sim, a Terra por si só pode ser um lugar perigoso: terremotos, inundações e outros desastres naturais mataram mais de 780.000 pessoas na última década, e milhões ficaram feridos ou desabrigados. Ninguém sabe o que a próxima década aguarda, mas devemos nos preocupar mais com algumas áreas. Confira quais:
1 – Lago Nyos, Camarões

Um assassino silencioso se esconde sob a superfície desse lago do Oeste Africano. A bolsa de magma nas suas profundezas vaza dióxido de carbono para a superfície do lago. Sob a pressão de 200 metros de água, o dióxido de carbono se dissolve (como a carbonatação em uma garrafa de refrigerante).
Só que nem sempre. Na noite de 21 de agosto de 1986, a água no lago de repente revolveu, e o dióxido de carbono se despressurizou e explodiu como um refrigerante chacoalhado. A nuvem de dióxido de carbono resultante se espalhou, asfixiando 1.700 pessoas e milhares de animais. Nos 24 quilômetros de vale abaixo do lago, quase nada sobreviveu.
Hoje, tubos são usados para “retirar” o dióxido de carbono da água do fundo do lago Nyos. Os tubos evitam o acúmulo do gás, mas isso não torna o local totalmente seguro. O lago ainda é muito perigoso.
2 – Nápoles, Itália

Em 79 d.C., o Monte Vesúvio explodiu, enterrando as antigas cidades de Pompéia e Herculano. Mais de 50 erupções subsequentes que deixaram para trás cinzas e grandes cavidades, entretanto, não dissuadiram as pessoas de povoar as encostas à beira-mar da cidade.
Nápoles fica na base do vulcão, e até 650.000 pessoas vivem nas suas encostas. Uma erupção iminente poderia forçar a evacuação de mais de um milhão de pessoas. Além disso, Vesúvio não é o único vulcão ativo ameaçando esta área densamente povoada. O Mar Mediterrâneo ao largo da costa da Itália é repleto de vulcões. O mais preocupante fica na ilha turística Ischia. Uma erupção não só afetaria Nápoles como poderia ser pior do que uma erupção hipotética do Vesúvio.
3 – Miami, Flórida

Ninguém pode prever onde um furacão vai surgir, mas o sul da Flórida é sempre uma aposta razoável. O Serviço Geológico dos EUA estima que a ponta sul da Flórida pode esperar mais de 60 furacões ao longo de um período de 100 anos. Em 2008, Miami foi classificada como a cidade mais arriscada para catástrofes naturais do país.
A história já é repleta deles. Em 1926, o Grande Furacão de Miami destruiu ou danificou cada edifício no centro de Miami e matou pelo menos 373 pessoas. Menos de 10 anos mais tarde, o furacão do Dia do Trabalho de 1935 matou 408 pessoas na Flórida. Em 1960, o furacão Donna rugiu através do sul da Flórida, trazendo consigo tempestades de 3 a 5 metros.
Talvez o furacão mais famoso seja o que atingiu o sul da Flórida em 1992. O furacão Andrew explodiu como uma tempestade de categoria 4 com ventos tão altos que quebraram instrumentos de medição. Andrew matou 23 pessoas nos Estados Unidos, e custou mais de 41,57 bilhões de reais.
4 – Região Sahel, África

A seca não recebe tanta atenção quanto outros desastres naturais, mas pode ser uma grande assassina: mais de 100.000 pessoas morreram por causa da seca na região Sahel da África entre 1972 e 1984. Outros 750.000 foram incapazes de plantar e ficaram completamente dependentes de ajuda para se alimentar.
A região árida do Sahel faz fronteira com o deserto do Saara, que se estende pelo norte da África através da Mauritânia, Senegal, Mali, Níger, Burquina Faso, Nigéria, Chade, Sudão, Argélia, Etiópia e Eritreia. A água limitada na área está causando desertificação, aumentando ainda mais o risco de seca e fome na região.
5 – Guatemala

América Central é a casa de uma tripla ameaça: terremotos, furacões e deslizamentos de terra. Juntamente com a costa ocidental da América do Norte e do Sul, a América Central encontra-se no Anel de Fogo, um local sismicamente ativo que circunda o Oceano Pacífico.
Guatemala não é o único país afetado, mas tem sido duramente atingido: em 1976, um terremoto de 7,5 graus de magnitude matou 23.000 pessoas. Graças ao terreno montanhoso do país, deslizamentos de terra dificultaram o transporte e os esforços de salvamento.
A combinação de topografia e clima pode ser fatal também. Fortes chuvas podem saturar encostas, levando a deslizamentos de terra devastadores. Em 2005, os restos do furacão Stan atingiram Guatemala, El Salvador e sul do México, causando mais de 900 deslizamentos de terra. Aldeias inteiras foram enterradas; uma, Panabaj, foi declarada um cemitério depois que autoridades desistiram de escavar os corpos de 300 moradores desaparecidos. O número exato de mortos é desconhecido, mas algumas estimativas sugerem que até 2.000 pessoas perderam a vida.
6 – Java e Sumatra, Indonésia

Essas duas ilhas da Indonésia enfrentam mais riscos de desastres naturais do que qualquer outro lugar. Secas, inundações, terremotos, deslizamentos de terra, vulcões, maremotos: todos ameaçam a Indonésia, onde Java e Sumatra têm o maior risco.
O desastre mais famoso é o tsunami no Oceano Índico de 2004, que matou um número estimado de 227.898 pessoas após um terremoto de 9,1 graus na escala Richter provocar a enorme onda. A Indonésia foi o mais atingido entre os países do sudeste asiático afetados, com mais de 130.000 pessoas mortas.
Desastres menores causam sofrimento mais regular. Entre 1907 e 2004 (antes do tsunami), secas mataram 9.329 indonésios, vulcões mataram 17.945 pessoas e terremotos mataram 21.856. Uma das erupções mais famosas da história, do vulcão Krakatoa, ocorreu no Estreito de Sunda entre as duas ilhas. Recentemente, em fevereiro deste ano, enchentes empurraram milhares de moradores a oeste de Java, e um deslizamento de terra na vila de Tenjolaya matou dezenas de pessoas.
7 – Istambul, Turquia

Ninguém sabe quando a falha do Norte da Anatólia irá ruir, mas uma coisa é certa: ela vai ruir. O terremoto resultante pode ser uma má notícia para as 12,8 milhões de pessoas em Istambul.
No século passado, terremotos na falha no norte da Turquia têm aumentado para o oeste. O último grande terremoto aconteceu em 1999, quando um tremor de 7,6 graus devastou a cidade de Izmit. O número oficial de mortos é de cerca de 17.000, mas uma estimativa o aumenta para 45.000.
A próxima vez que o chão tremer, os cientistas esperam que seja ainda mais a oeste, ao sul de Istambul. Um estudo realizado em janeiro de 2010 concluiu que as tensões ao longo da falha poderiam provocar múltiplos terremotos, ou ela poderia ruir de uma vez. Em março, o geofísico Tom Parsons disse que as chances de Istambul ser atingida por um terremoto de magnitude 7 ou maior nos próximos 25 anos são entre 30 e 60%.[OurAmazingPlanet]

Porque fazemos sexo?



Para quem só pensa no prazer, o sexo parece fazer total sentido. Do ponto de vista evolutivo, entretanto, é um pouco mais complicado do que isso.
Para Michael Brothurst, que estuda a evolução da reprodução sexual, o sexo é difícil de explicar. Como outros especialistas, ele não “entende” os homens.
“Já que os homens não podem se reproduzir por si só, e muitas vezes não contribuem com nada, só com genes, aos seus descendentes, uma população assexuada de fêmeas poderia crescer o dobro da taxa de uma população que se reproduz sexualmente”, explica o cientista.
Sendo assim, por que nós fazemos sexo? Ou melhor – e se você também for mulher, vai concordar comigo – por que sequer existe o sexo masculino?
Por que a maioria das plantas e animais têm dois sexos, que têm relações sexuais entre si, em vez de apenas um?
A explicação mais provável para o sexo é conhecida como a hipótese Rainha Vermelha, em homenagem ao romance de Lewis Carroll, “Through the Looking Glass”. Nesse romance, Alice e a Rainha Vermelha realizam uma corrida em que nunca chegam a lugar nenhum.
Um pouco análoga, a hipótese Rainha Vermelha afirma que os organismos e os parasitas que vivem neles estão em uma corrida para evoluir constantemente, e fazem isso em resposta a mutações genéticas (da troca entre si), mantendo um equilíbrio global.
Conforme os parasitas evoluem para aproveitar as fraquezas de um organismo hospedeiro típico, os hospedeiros com versões raras de genes, conhecidas como alelos, são menos suscetíveis a parasitas, e assim têm uma melhor chance de sobreviver à sua idade reprodutiva.
Da mesma forma, seus descendentes são dotados desses alelos vantajosos. Como resultado, ao longo de gerações, os alelos raros se tornaram mais comuns na população, por isso os parasitas começaram a evoluir para levá-los adiante. Nesse ponto, novos alelos incomuns começam a florescer entre os hospedeiros.
Ou seja, a teoria sustenta que o sexo dá aos organismos hospedeiros uma vantagem na esteira evolutiva. A seleção contínua de raridade favorece a reprodução sexual, porque a recombinação sexual permite que hospedeiro remodele seu bloco de alelos e gere novas combinações raras em sua prole.
A evidência em favor da hipótese Rainha Vermelha já surgiu em muitos exemplos diferentes de vida. Caramujos de água doce que se reproduzem tanto sexualmente quanto assexuadamente se reproduzem mais sexualmente em áreas rasas, onde são mais propensos a se infectar por um tipo de parasita. Isso sugere que a infecção promove o sexo.
No entanto, até agora, os pesquisadores não sabem ao certo se os parasitas são realmente o melhor adaptados às seus hospedeiros caramujos. Talvez as duas espécies não foram coevoluindo, caso em que os próprios fundamentos da hipótese Rainha Vermelha desmoronariam.
Porém, recentemente, um novo estudo deu a hipótese Rainha Vermelha um novo impulso. No laboratório, os pesquisadores compararam lombrigas com uma espécie de bactéria que as mata, e observaram o que aconteceu quando as duas coevoluíram.
Lombrigas que se reproduziam assexuadamente se extinguiram em apenas 20 gerações, enquanto lombrigas que se reproduziam sexualmente foram capazes de evoluir continuamente para defender-se de seus atacantes bacterianos. Parece que, em uma corrida para ficar no mesmo lugar, o sexo vence.

Mulher: quanto mais alta, maior o risco de desenvolver câncer




Se você sempre foi uma mulher alta e se gabou disso, conheça uma séria desvantagem: um novo estudo descobriu que quanto mais baixas são as mulheres, menor o risco de câncer. Ou vice-versa: as mulheres mais altas têm maior risco.
A equipe de cientistas, liderada por Jane Green da Universidade de Oxford, Inglaterra, acompanhou 1,3 milhões de mulheres de meia idade do Reino Unido por 10 anos.
Os pesquisadores britânicos determinaram que o risco de câncer nas mulheres saltam 16% a cada aumento de 10 centímetros de altura.
Mesmo após levar em conta estilo de vida e origens socioeconômicas, ainda havia um salto significativo no risco de câncer associado com estatura crescente.
E não foi apenas um tipo de câncer: as mulheres mais altas eram mais propensas a desenvolver câncer de mama, útero, ovário e intestino, bem como leucemia e melanoma. Pelo menos as baixinhas têm algo de que se orgulhar, não?
Segundo os cientistas, ainda não está claro como essas descobertas se aplicam para os homens.

Invasão? Novos ufos são filmados sobrevoando a Califórnia, Brasil, Chile, Paris…



Ao que parece, estamos em meio a uma onda monumental de avistamentos ufologicos. Segundo a material do Daily Mail, o ufo surgiu nos céus da Califórnia sobrevoando a cidade de Oakland. Inicialmente, pareciam ser três pontos luminosos distintos que aparentemente se juntaram numa formação triangular. As formações triangulares são bastante comuns na ufologia, e não se sabe até agora a razão desse tipo de formação.
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KevinMC360 (seu apelido do youtube), que registrou o incidente no espaço aéreo norte-americano, filmou também aviões, o que deu um elemento comparativo aos objetos registrados no video. Confira:

Pela comparação do avião comercial e o suposto ufo, podemos estimar que o Ufo esteja viajando numa altitude muito superior a usada pelas aeronaves civis. Embora o cinegrafista diga que se tratavam de três objetos em formação, me pareceu mais um registro do famoso ufo triangular.
Já faz tempo que os ufos triangulares são flagrados voando por aí. Muita gente suspeita que este ufo em questão seja obra do Homem. Existem correntes que defendem que este ufo seria algum tipo de aeronave militar secreta que usa uma tecnologia desconhecida da ciência atual, possivelmente obtida através da engenharia reversa em destroços de naves alienígenas.
Seja como for, isso é de fato um ufo, na medida que não pode ser identificado como avião, helicóptero ou balão meteorológico.
Entretanto, no video abaixo temos o que parece ser um quarto objeto, desconectado da formação, mas ainda voando em paralelo.
Desde o início de 2011, inúmeros objetos suspeitos de serem ovnis foram registrados nos céus da Califóinia. No dia 09 de janeiro deste ano, um cinegrafista amador registrou um ufo voando perto de sua casa em Venice:

O Ufo de Venice foi registrado às três da manhã e parecia estar se estabilizando, ou fazendo algum tipo de varredura, enquanto emitia um brilho esverdeado.
Em nove de maio deste ano, novamente luzes foram registradas sobre a cidade de Carlsbad, o que gerou também um video:
Pelas características, o objeto se parece com a formação triangular do primeiro video do post, só que piscando muito rapidamente.
Mais um ufo triangular apareceu neste mês no dia 12 de maio, sobrevoando Alington, Texas.

Observe que o ufo triangular de Alington parece ser muito, muito grande, e estar a uma grande altitude. Esta forma me lembrou o misterioso ufo “V” de Phoenix , visto pela primeira vez em 1997, e que já apareceu outras vezes. Este ufo gerou uma das mais concretas análises sobre sua observação feita pela Mufon anos atrás.
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Phoenix lights Invasão? Novos ufos são filmados sobrevoando a Califórnia, Brasil, Chile, Paris...
Frame de um dos varios videos que registraram as "Luzes de Phoenix" por mais de uma hora em 1997
Os ufos triangulares tem sido vistos em inúmeros lugares do mundo. Inclusive no Brasil. O video abaixo foi registrado em 14 de maio deste ano, em Jaguariúna-SP:

Em seguida, no dia 15 de maio, novas luzes apareceram sobre Long Beach, evento que também foi registrado por um morador local.

Neste mesmo dia, objetos estranhos sobrevoaram o Chile, sobre a cidade de Maipu. O objeto também foi registrado em video:

Seria o mesmo objeto?
No dia 21, durante uma reunião, inúmeras pessoas testemunharam e filmaram o que parecia uma “esquadrilha de ufos” nos céus de Rzeszow – Polônia:

No mesmo dia, as esferas apareciam nos céus de Amsterdã:

E também em Los Angeles:

No dia 23 de maio, uma esfera que sobrevoava uma cidade do Brasil (o video não traz referência à cidade) em plena luz do dia foi registrada em video:

Segundo a testemunha que fez o registro, os objetos Surgiram no céu às 13:39h-pm e ficaram até as 15:28h-pm.
No dia 27 de maio, uma testemunha registrou em video um “orb” sobrevoando Chicago
No dia 28 de maio, inúmeras esferas similares sobrevoaram Paris em plena luz do dia. Elas foram fotografadas:
SPOTSPARIS Invasão? Novos ufos são filmados sobrevoando a Califórnia, Brasil, Chile, Paris...
O video abaixo examina em detalhes a foto:
Naquele mesmo dia, em Maryland, nos EUA, pontos luminosos foram registrados pela câmera do celular de uma testemunha, que reportou seis luzes, mas só conseguiu registrar 4.

Ainda no dia 28 em Milão, na Itália, luzes estranhas desfilaram nos céus. E foram registradas em video

Naquela mesma noite, luzes estranhas surgiram perto do Lago Michigan, em Deerfield, Illinois – USA

No dia seguinte, 29 de maio, uma curiosa formação aparecia sobre a Holanda
(este me parecem balões)
No mesmo dia, uma estranha formação surgia durante a noite, sobrevoando a cidade de Mayfield, na Tasmania.

Especula-se que possa ser o mesmo objeto que apareceu nos céus da Índia ontem.

Também ontem surgia nos céus da Nova Zelândia um objeto ou mais, emitindo intensa luminosidade.

E ontem surgiu uma formação triangular sobre Melbourne, na Austrália.

Até agora, nenhum canal de Tv ou programa do tipo sensacionalista noticiou os avistamentos, interligando-os.
Não é possível dizer se todos estes videos são reais e se todos estes avistamentos estão interligados de alguma forma. Sabemos que os fenômenos ufológicos costumam se manifestar em ondas de avistamentos quase periódicas. Como estamos num período de intensa taxa de avistamentos, olhe para cima. Quem sabe você não dá a sorte de ver um.
EDITADO:
Nosso amigo leitor DCMoraes lembrou que havia uma arregimentação de um grupo hacker chamado “Anonymous” que conclamava seus membros a forjarem alegações de um ufo triangular com oito luzes amarelas. Abaixo a imagem que convida para a “brincadeira”:
anonymous Invasão? Novos ufos são filmados sobrevoando a Califórnia, Brasil, Chile, Paris...
Entretanto, a imagem diz que o evento se inicia em 22 de maio, e muitos dos eventos registrados aqui são anteriores a esta data. Além disso, não há nenhum registro de triângulo de oito luzes amarelas registrado. Talvez o grupo tenta tentado pegar uma carona na explosão de avistamentos para obter assim uma demonstração de um pretenso poder de mobilização. Ou não, vá saber o que se passa na cabeça desses caras. Só acho que eles queimam o filme ao fazer isso. Deviam gastar os esforços na liberação das informações, e não na geração de confusão para mera diversão. Se bem que o último que fez isso ( Gary Mckinnon) se ferrou de tal maneira que os grupos ativistas tem pensado duas vezes.
fonte

Que borboleta !


Por incrível que pareça, essa foto não é um truque de Photoshop: é uma imagem real, assim como a borboleta. A “Greta oto”, mais conhecida como a “borboleta transparente”, é um membro da subfamília Danainae. Elas vivem na América Central, onde também são chamadas de “espelhinhos”, e se alimentam de néctar (provavelmente também de amor e boas intenções, né?).

Linchamentos



Uma forma trágica de se punir culpados, quando uma grande massa se sobrepõe a leis, julgam e condenam um acusado, que é enforcado, apedrejado, dilacerado ou espancado pela mesma multidão revoltada.

A origem do nome é remota, nos leva a dois oficiais americanos com o mesmo sobrenome (Charles Lynch e Willian Lynch), um prefeito irlandês (James Lynch), e uma prática de tortura chinesa chamada Lingchi.

Entre os dois oficiais, o primeiro coronel e o segundo capitão (ambos de Virgínia, estado americano) é difícil definir qual foi o primeiro ao usar as técnicas de linchamentos (Lynching em inglês), para os americanos e demais países de idioma inglês, o lynching é considerado a pena por enforcamento por uma multidão.

O termo era usado na época (por volta de 1780) contra os pró britânicos que iam contra a declaração da independência americana, ou seja, todos os contrários a independência americana e a favor dos britânicos no estado de Virgínia, sofriam da pena de linchamento, com a benção de um dos Lynch. Um fato curioso é que apesar de terem o mesmo sobrenome, viverem na mesma época, e no mesmo ESTADO, não achei nenhuma ligação familiar com ambos.

Porém anterior a eles e a guerra civil americana, já existia a pena de enforcamento por uma multidão, a todos aqueles que defendiam os direitos civis, ladrões de cavalos e trapaceiros em geral. O que nos leva que a provável origem de nome venha de um prefeito de Galway, Irlanda chamado James Lynch (advinha qual era a descendência de ambos americanos com o mesmo sobrenome).

Em 1493, o prefeito enforcou seu próprio filho, culpado pelo assassinato de um nobre espanhol que estava sob cuidados da família, pela janela de seu quarto, hoje pode se ver um monumento de uma caveira com os braços cruzados e uma inscrição que diz: "1524 Remember Deathe Vaniti of Vaniti and al is but – Vaniti.".


Gente, como fiz no post da Junko Furuta, devo avisar que esse post contem imagens fortes e violentas, alem do mais que o tema não é dos mais simples e comuns, então peço para que, quem não gosta desse tipo de assunto, quem se impressiona fácil e essas coisas, não clique no "Continue Lendo", o post contém fotos de pessoas cortadas, enforcadas e espancadas, clicar ou não fica por sua escolha.



Deixando o problemático sobrenome Lynch de lado, vale lembrar que nos Estados Unidos pós Guerra Civil, os enforcamentos foram usados como punições raciais a minorias, em especial para índios, judeus e negros, os maiores praticantes de tais penas foram a Klu Klux Klan.

Como nos Estados Unidos havia diversas lei segregacionistas para separar a população negra da branca, A Klu Klux Klan aproveitava desse ódio da sociedade e punia com as próprias mãos qualquer negro que entrasse em estabelecimentos definidos apenas para brancos, ou que simplesmente mora-se em um subúrbio de predominação branca. A vítima era também arrastada, aonde se pendurava uma corda geralmente em um galho de arvore, e era ali enforcada na frente de todos.

Outro processo de revolta de massas que pode significar linchamento se desenrolou na China, era o chamado “Ling Chi” que significa algo como “morte por milhares de cortes”.

O processo se desenvolve amarrando o culpado em um tronco (geralmente em praça pública), e pouco a pouco, vai se cortando pequenos pedaços da carne do culpado, durante um longuíssimo tempo até a finalmente morte do culpado, em alguns casos era comum o uso de ópio nos acusados como forma de piedade, ou para evitar o desmaio.

Como a pena era muito dura, só era usada para casos muito extremos, com crimes que iam contra o valor do confucionismo (código de ética do filósofo chinês Confúcio), que seriam crimes como traição, genocídio e assassinato aos pais, a polêmica sobre a pena foi muito difundida pelos filmes de “velho oeste” americanos, a pena que começou a ser posta em prática em 900 depois de cristo, teve seu fim sendo abolida mil anos depois, em 1905.

Outro tipo comum de pena por uma multidão raivosa que é considerada linchamento, é o apedrejamento, presente no código judeu de punição, entre os muçulmanos e muito bem registrados no Novo Testamento como o caso de Santo Estevão e o da mulher adúltera que foi evitado por Jesus. As principais acusações que levavam a esse tipo de pena era homossexualidade e adultério, porém demais casos poderiam ser considerados.
O padrão não muda muito como todos os outros linchamentos, e arrastado a vítima até uma praça pública, onde o acusador tem o direito de atacar a primeira pedra, para que então toda a multidão possa atacar também, até a morte do acusado, esse fato do acusador ser o primeiro agressor, se assemelha com os espancamentos que podem ser encontrados até nos tempos de hoje, inclusive aqui no Brasil.

Sim, foi isso mesmo que você leu, para quem acha que essas práticas bárbaras ficaram no passado, elas continuam até hoje e é dito que o Brasil, é o país que mais ocorre espancamentos, principalmente em suas periferias.
Talvez devido aos difíceis tempos de Brasil colônia, onde a justiça não funcionava tão bem, e quase sempre estava a longe alcança do estado, pessoas tomavam a lei para si, e a colocavam em prática. Segundo o sociólogo e professor da USP, José de Souza Martins, o Brasil é o país onde mais ocorre linchamentos, liderando por São Paulo e seguindo por Rio de Janeiro e Salvador.

Ele que fez um estudo de 50 anos sobre linchamentos no Brasil, detalha especificamente alguns casos, como este que segue:

“Há um caso no sertão da Bahia, na região de Monte Santo. Um rapaz estupra e mata uma professora da região. Ele é preso num quartel. Naquela noite, uma pequena multidão chega de caminhão ao quartel, rende os soldados, tira o sujeito da cadeia e o leva para o local do crime. No caminho, vão mutilando o rapaz. Chegando lá, ele ainda está vivo, mas é uma pasta. O moço é queimado vivo, que é como a maior parte dos linchamentos acaba no Brasil. Ou seja, ele teve de derramar seu sangue onde foi derramado o sangue de sua vítima.
Aparentemente, é um ritual de troca do sangue. Como ele derramou o de uma pessoa inocente, de uma mulher presumivelmente virgem - o que agrava a dimensão simbólica e a sacralidade do corpo violado -, ele foi queimado. Na crença popular, quem morre desfigurado por violência não encontra o caminho da eternidade. O cego, especialmente. Por isso, é comum que arranquem os olhos do linchado.”
 
Um caso que atravessou eras e continua até os dias de hoje, será o problema da falta de justiça nas camadas mais populares, ou apenas uma forma de percebemos como o ser humano pode ser cruel e sádico quando instigado, ou como diria Thomas Hobbes “O Homem é o lobo do homem”.......

30 junho, 2011

Göbekli Tepe: o monumento mais antigo de todos os tempos



Göbekli Tepe, Turquia
A minha geração estudou história sob a influência do arqueólogo  V. Gordon Childe, responsável pela teoria da Revolução Neolítica, que explicava que a civilização, como a conhecemos, havia sido consequência da agricultura.  De bandos de nômades havíamos passado a uma vida mais sedentária, reunida à volta de vilarejos e cidades, cultivando trigo, cevada e domesticando animais.  A razão para o aparecimento de aglomerados urbanos era simples: precisávamos tocar as quintas, as plantações, e garantir comida o ano inteiro.   Os ajuntamentos facilitavam a defesa dos interesses grupais:  garantir que as colheitas não fossem parar em mãos inimigas ou roubadas por bandos famintos, ainda nômades, que cruzavam a terra.
Parte do estabelecimento dos seres humanos em cidades e aldeias justificaria assim o aparecimento da hierarquia de comando, de principados, reinos, de classes sociais dominantes e da religião organizada.  Essa visão antropológica do nosso desenvolvimento era abrangente o suficiente para que não a questionássemos.  Além disso ela explicava muito do que não conseguíamos explicar de qualquer outra forma.  Foi só na década de 1990, com as primeiras descobertas arqueológicas em Göbekli Tepe, na Turquia, que evidências de uma outra possibilidade começaram a surgir.   E vieram tão numerosas e de tantas formas diferentes, que a necessidade de revermos de maneira drástica o que imaginávamos ser o desenvolvimento dos seres humanos no Neolítico se fez necessário.  A revista The National Geographic Magazine deste mês foca nas conseqüências das descobertas de  Göbekli Tepe:  a organização religiosa dos seres humanos talvez não tenha vindo como consequência da Revolução Neolítica, mas ao contrário:  a  necessidade de uma religião organizada pode ter dado origem à agricultura.

Stonehenge, Inglaterra
É uma reviravolta inesperada e fascinante.
Até evidência em contrário, o aparecimento da religião organizada entre os homens aconteceu na Turquia, em Göbekli Tepe, mais ou menos há 11.000 anos atrás.  As fundações desse templo religioso no topo de uma montanha, a 15 km de Şanlıurfa, no Sudeste da Turquia, são incontestáveis.  Haveria outros templos mais antigos?  Não sabemos.  Por ora, a civilização começou aí.  Göbekli Tepe é um templo extraordinário.  Ou melhor, uma série de templos dos quais muito pouco está escavado.   Inicialmente havia sido comparado a Stonehenge, na Inglaterra, por causa de seu desenho quase circular de pedras variadas.  Mas a semelhança com o sítio na Inglaterra para na forma circular.  Göbekli Tepe  foi construído muitos milênios antes de Stonehenge [que foi construído por volta de 2.500 anos aC, ou seja há 4.500 atrás].  Além disso, o complexo arqueológico turco é mais sofisticado.  Suas pedras gigantescas são cortadas com precisão e apresentam baixo-relevos de animais variados:  cobras, raposas, escorpiões, javalis e bandos de gazelas.  Construído uns há 11.600 anos, e 7.000 anos antes das pirâmides do Egito,  Göbekli Tepe  prima por maior sofisticação na construção do que se imaginava para a época, quando comparamos este a outros sítios posteriores.  Hoje, é considerado o primeiro grande monumento arquitetônico da humanidade.

Ilustração de bandos de nômades, como seriam os homens do neolítico.
Como então Göbekli Tepe se encaixa na chamada Revolução do Neolítico, proposta por Childe?  Não se encaixa.   Aquela época importante quando a agricultura tomou conta da nossa vida no planeta, aqueles milênios em que as culturas nômades dedicadas à caça e pesca passaram a plantar e cultivar os animais, não parece se refletir no primeiro grande templo da humanidade.  E isso é só uma das partes desse quebra-cabeças.
Mas o que foi achado em Göbekli Tepe para nos fazer questionar o que parecia certo e lógico?  Localizado na maior colina em toda área, por quilômetros e quilômetros, esse templo consiste de 20 câmaras no subsolo que têm um grande número de pedras de calcário em forma de T.  Muitas dessas pedras e pilares foram decorados com o desenho de animais do campo, em relevo, cinzelados.  As pilastras estão organizadas em círculos de pedras, — quatro foram escavados até agora.  Cada círculo tem não mais do que 30 m de diâmetro.  As pedras que os formam são de aproximadamente 6 metros de altura, pesando entre 12 a 18 toneladas.

Göbekli Tepe, Pedra do sol  [nome dado pelos arqueólogos para distinguí-la de outras pedras].
No entanto, não há vestígios de habitação permanente de seres humanos no local.  Nem mesmo rastros deixados por acampamentos de longa duração, já que nessa época não existiam ainda vilarejos, nem cidades, nem aglomerados humanos de maior complexidade.  Os seres humanos eram nômades, sobrevivendo da caça e pesca e de colheita de frutos da natureza.  Então como construir um monumento desse porte, se era preciso um grande número de pessoas, organizadas, que  exercessem diferentes tarefas?    As pedras da construção de Göbekli Tepe  são encaixadas precisamente, têm formas específicas e eram transportadas de longe, para este local pesando em média 15-16 toneladas cada.  Só isso exigiria uma organização muito mais complexa do que creditamos nossos antepassados de poderem ter exercido, porque tudo isso foi feito numa época em que os seres humanos não conheciam a escrita, o metal, a cerâmica ou a roda.
O que causaria esse grande esforço para se construir um templo, num lugar de tão difícil acesso?  O que havia levado esses povos a construir algo tão ambicioso?  E mais estranho ainda:  a enterrá-lo propositadamente depois de algum tempo e abrir um outro  templo circular um pouco mais adiante, e ao fim de um determinado tempo, enterrá-lo e assim por diante?  Acredita-se haver uns 20 a 40 templos circulares em volta de Göbekli Tepe.   Como o arqueólogo responsável Klaus Schmidt do Instituto de Arqueologia da Alemanha imagina: “bandos de caçadores teriam se juntado no local esporadicamente, através das décadas de construção, vivendo em tendas feitas de peles de animais e caçando os animais locais para alimento”.

Göbekli Tepe, vista de cima.
Os pilares, as colunas de pedra, foram colocados em círculos, num desenho comum a todos.  São pedras de calcário, como grandes colunas, ou grandes Ts.  No meio de cada círculo dois pilares.  As pedras podem ou não ser decoradas com animais estilizados, grande parte deles animais perigosos:  escorpiões armados para o ataque,  javalis agressivos,  leões ferozes.   Não se sabe ainda a razão, mas após uma ou duas décadas, essas construções eram regularmente enterradas, com todos os pilares sob terra, e novos círculos eram construídos dentro do círculo que foi enterrado, com novas pedras.  Às vezes até um terceiro círculo era organizado.   Aí então o grupo todo era enterrado, e um novo círculo, mais adiante era construído.  O local foi construído e reconstruído com círculos de pedras por séculos e séculos.  E ainda mais intrigante: a medida que os séculos passavam as construções  ficaram cada vez piores.  As pedras menos decoradas, com corte mais rústico, e tudo organizado de uma maneira menos cuidadosa.  Ao longo dos séculos o povo que construiu esses templos se tornou cada vez menos apto a fazê-lo.  Os esforços de construção pararam finalmente por volta do ano 8.200 aC.

Göbekli Tepe
Porque nenhuma habitação foi encontrada, o templo parece ter sido construído com um único objetivo: um centro cerimonial.  Os ossos achados nos canteiros arqueológicos, que mostram o que era consumido durante a construção desses círculos, são ossos de gazelas e outros animais caçados muito longe dali e mandados para o local para servirem de alimento.  Não havia nenhuma fonte de água natural no lugar.  Evidentemente havia necessidade de uma boa organização para que essa construção fosse feita e, no entanto, não foram achados ainda quaisquer vestígios de alguma estrutura social com mandantes e mandados.  Quem organizava essas centenas de pessoas necessárias para cinzelar, erguer e arranjar as pedras necessárias?  Klaus Schmidt lembra de maneira bastante enfática o que é tão intrigante:  “Descobrir que povos de caçadores, pescadores e apanhadores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe  é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete”.  E no entanto, lá está, o templo fora do contexto temporal a que lhe atribuímos.

Câmara em Göbekli Tepe.
Mesmo que V. Gordon Childe tivesse sido abrangente demais nas suas teorias sobre a Revolução Neolítica, é preciso não descartarmos  o fato de que foi a agricultura que nos permitiu viver agrupados em  aglomerados, aldeias, cidades, reinos.  Com a agricultura também conseguimos prolongar as nossas vidas e chegar a um grande crescimento populacional.  E  poder plantar para colher não é um passo pequeno de desenvolvimento.  Mesmo que os homens neolíticos conseguissem proteger um pedacinho de terra em que o trigo ou cevada selvagens estivessem crescendo, suas sementes quando maduras se comportavam de maneira diferente das sementes dos grãos domesticados.  Isso só foi conseguido milhares de anos  mais tarde.  Os grãos das espécies selvagens se soltam da planta e caem no chão tornando uma tarefa quase impossível coletá-los no ponto preciso de amadurecimento.   Em termos de genética, a verdadeira agricultura de grãos só se deu quando uma área bastante grande de terreno pode ser dedicada ao cultivo de plantas que já haviam sofrido alguma mutação, deixando que os grãos maduros permanecessem nas plantas para a colheita.

Agricultura demanda organização, perseverança, disciplina e estratégias de longo prazo com relação ao retorno sobre o investimento do trabalho.  Como é um passo complexo aconteceu através de milhares de anos, quando povos nômades co-existiram com os sedentários.  Para que se tenha sucesso na agricultura  é necessário defender o investimento  contra a invasão territorial de animais e de outros seres humanos.  O trabalho se torna cooperativo e relativamente complexo, envolvendo um grupo social que exige uma estratificação, uma hierarquia social. Era muito maior o trabalho envolvido no cultivo de qualquer grão e na domesticação de animais  do que simplesmente colher, caçar e pescar.  No entanto, o sedentarismo prevaleceu.  Mas por que?  As vantagens são: pode-se plantar mais do que se consome; pode-se estocar comida para o período de inverno; pode-se trocar o excedente de um alimento de um grupo pelo excedente de alimentos de um outro grupo.   Mais pessoas comem.  O grupo, permanecendo num único lugar pode viver de maneira mais confortável, sem ter que carregar tudo o que lhe pertence.  Pode ter abrigo permanente contra as intempéries climáticas.

Mas nem tudo são flores.  Quando se fez a troca de uma vida de caça, pesca e colheita para uma agrícola, sedentária, o esqueleto humano mudou.   Temporariamente os homens ficaram menores, porque a dieta a que eles estavam acostumados, rica em proteína, também mudou.  Além do que, os animais domesticados também tiveram mudanças radicais sendo menos musculosos, oferecendo menos carne a ser degustada.  Mas, mesmo assim, insistiu-se na agricultura.  Por que?  É uma daquelas perguntas que ainda não pode ser bem respondida.  Há muitas teorias, entre elas a da extinção de animais selvagens pela caça generalizada, pressões populacionais…
Sabemos que a agricultura começou no que chamamos de Crescente Fértil: uma região  de clima temperado, do Oriente Médio irrigada pelos rios Jordão, Eufrates, Tigre e Nilo.  Uma área muito fértil, que é o lugar de nascença da história, da nossa história, da história da humanidade.   Foi aí que mais ou menos a 14.000 anos aC  os homens começavam a ter algum controle sobre a natureza, antes mesmo de conseguirem plantar para comer, antes mesmo de terem domínio sobre plantas e a domesticação de animais.   Foi aí que o mundo despertou.  Dá-se o nome de Crescente Fértil porque essa área, em que diversos povos chegam à agricultura, se desenhada sobre um mapa do mundo, formaria um arco, um crescente, sobre os atuais países: Egito, Israel, Cisjordânia, Líbano, partes da Jordânia, da Síria, do Iraque, da Turquia e do Irã.  É daí, nessa região, nas colinas suaves de Anatolia, que nasce a agricultura e consequentemente a civilização.  A uns poucos passos  de Göbekli Tepe.

Localização de Göbekli Tepe, na região mais ao norte do Crescente Fértil.
É a proximidade entre o templo de Göbekli Tepe com primeiro cultivo proposital da agricultura que deixa alada a imaginação dos historiadores.  O que fez a população de Göbekli Tepe se organizar para construir um templo antes de mesmo de se organizar para a agricultura?  Obviamente havia uma necessidade emocional, interna, uma necessidade comum aos homens, de reverenciar um deus ou muitos, de idolatrar as forças que os governavam, para cultuar os favores: da caça e pesca abundantes, do renascimento constante de frutos e folhas.  Com a consciência de sua insignificância, de sua pequenez frente à natureza que os dominava, instalou-se  a precisão de um culto, dedicado a um ou mais seres, algo que aliviasse a angústia da incerteza da vida.

Área onde foram encontradas aldeias natufianas, desaparecidas por volta de 10.000 aC.
Antropólogos há muito assumem que a religião organizada surgiu como maneira de resolver problemas entre grupos à proporção que os nômades tiveram que conviver com outros grupos, quando todos se tornavam vizinhos sedentários, usufruindo das mesmas fontes de água limpa, de campos adjacentes, transformados em pequenos fazendeiros, responsáveis pela alimentação de seu grupo tribal.   Vilarejos surgiram, imaginava-se, da necessidade de estruturar as ações comuns que melhoravam a vida do individuo: enterro dos mortos;  abrigo à prova de animais para os membros do grupo,  o uso de plantas medicinais, e assim por diante.  E assumiu-se que só quando um uma visão de ordem celestial comum a um grande grupo apareceu, aí sim, vieram os templos, nas aldeias e nos vilarejos, um sistema religioso capaz de unir esses novos grupos.  Mesmo assim, já havia alguns indícios, raros é verdade, de que talvez essa ordem não estivesse correta: há resquícios de aldeias  datando de 13.000 anos aC , chamadas de Aldeias Natufianas [do período neolítico] que surgiram no Oriente médio, particularmente nas áreas que hoje cobrem os estados de Israel e Palestina,  Líbano, Jordão e oeste da Síria.  Os habitantes dessas aldeias, que viviam em lugar permanente, não eram agricultores, eram colhedores de sementes, de trigo, cevada e centeio, assim como caçadores de gazelas.  Como o professor Ofer Bar-Yosef,  da Universidade de Harvard apontou, a descoberta dessas aldeias foi “um grande sinal  de aviso que deveríamos mudar nossas idéias”. Mas essas aldeias neolíticas começaram a desaparecer por volta de 10.200 aC, quando houve uma pequena idade do gelo, com a queda da temperatura local por mais ou menos 11º centígrados.  As aldeias Natufianas certamente sugerem que a organização em aldeias veio anterior à agricultura.

Beidha, aldeia netufiana, no sul do Jordão, perto de Petra.
À medida que Karl Schmidt organiza e reflete sobre suas escavações em Göbekli Tepe também imagina as causas do aparecimento da agricultura antes mesmo da residência sedentária dos povos nômades. Talvez o templo tivesse sido construído por tribos das áreas ao entorno, num raio de 150 km, que tiveram como objetivo se agruparem, trazerem presentes e dádivas aos deuses, ou a um sacerdote. Certamente haveria alguma ordem social, que nos escapa hoje, que seria responsável pela construção do local e também pela organização dos fiéis. Haveria rituais, cantos, tambores, festas. E com o passar do tempo, da própria necessidade de alimentar os visitantes, agrupados ali para as cerimônias, houvesse aparecido a necessidade de garantir uma certa quantidade de comida. Teria nascido dessa maneira a agricultura nesse canto da Anatolia, sul da Turquia, com o cultivo mais intenso dos melhores grãos? Além das primeiras evidências de domesticação de plantas virem de Nevalı Çori, a 30 km de Göbekli Tepe, há muitos outros indícios deste início de tentaivas agrícolas, na mesma região. Os porcos domesticados pelo homem primeiro aparecem em Cayounu, a 100 km de Göbekli Tepe; gado bovino, caprino e ovino foram domesticados pela primeira vez no leste da Turquia. Todas as sementes de trigo existentes hoje no mundo inteiro são descendentes do einkorn kernel [Triticum boeoticum] cuja evidencia de DNA sugere ter sido domesticado próximo a Karaca Dağ , no sudeste da Turquia.

A visão que temos hoje da região é muito diferente daquela de então. O deserto do Curdistão era, naquela época, um lugar fértil, coberto de vegetação. Os relevos de todo tipo de animal nas pedras no templo atestam sobre esta abundância. Tudo indica que foi o homem, justamente através da agricultura do período neolítico que levou à desertificação: árvores derrubadas, o solo escorrendo com as chuvas, a terra exposta, sem plantio. Tudo o que mantinha verde esse grande oásis à beira de uma região de equilíbrio delicado, foi modificado e acabou sendo devastado. Teria sido esta a primeira grande perda ecológica que tivemos?

O Jardim do Éden, 1612
Jan Brueghel ( Holanda, 1568-1625)
óleo sobre placa de cobre,  50 x 80 cm
Galeria Doria-Pamphili,  Roma
São os contrastes entre esta visão paradisíaca da região — quando Göbekli Tepe foi construído, época em que grupos nômades se saciavam com o que apanhavam na natureza –  e a introdução da agricultura na área, com a devastação do meio ambiente em seguida, que têm levado alguns historiadores a se perguntarem se não seria justamente sobre esses eventos, a descrição da Expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden no Paraíso e sua subseqüente punição: serem obrigados a colher o fruto de seu trabalho, como descrito no primeiro livro do Gênese da Bíblia.  Adão, o caçador, foi levada a arar o solo de onde havia vindo.

Adão e Eva depois da Queda, 1818
Johann Anton Ramboux (Alemanha, 1790-1866)
óleo sobre tela,  115 x 139 cm
Museu Wallraf-Richatz,  Colônia
Que muitos dos relatos bíblicos vez por outra parecem ser comprovados, é fato.    Uma das publicações mais populares  de meados do século passado, que comparava  textos bíblicos às descobertas arqueológicas é o clássico E a Bíblia tinha razão, de 1955, do escritor alemão Werner Keller, um grande best-seller universal.  Muitos outros estudos desde então já apontaram diversas vezes para a área do Curdistão na Turquia como a provável localização do Éden: a oeste da Assíria, exatamente onde se encontra Göbekli Tepe.  Além disso, o Jardim do Éden bíblico está situado entre quatro rios incluindo o Tigre e o Eufrates.  Tom Knox, autor do romance de suspense The Genesis Secret, [Harper Collins: 2009] aponta para seus leitores  outros detalhes interessantes, entre eles, textos sírios, escritos na antiguidade, onde há a menção da Casa do Éden [Beth Eden], como um reino pequenino,  localizado a 75 km de  Göbekli Tepe. Outras referências  sobre a localização de um possível lugar chamado Éden [que na língua da Suméria significa “planalto” ] auxilia na localização do paraíso justamente no planalto de  Haran.

Mãos rezando, 1508
Albrecht Dürer (Alemanha 1471-1528)
desenho sobre papel, 29 x 20 cm
Graphische Sammlung Albertina, Viena.
Quando juntamos essas referências,  vem a vontade de dizer que as construções encontradas no sítio arqueológico de Göbekli Tepe, poderiam apontar para um templo localizado dentro do Jardim do Éden.    Mas ainda é muita especulação.  No entanto o que sabemos é que o local foi considerado santo há muitos e muitos milênios.  Inspirou o ser humano à introspecção, ao sagrado, à aceitação do divino em suas vidas.  Templo foi, sem dúvida.  Por si só expressa a necessidade humana de ir ao encontro de um poder maior,  de reconhecer suas próprias limitações e de apelar aos poderes que têm controle sobre nós.  Göbekli Tepe mostra que a necessidade de se agradecer dádivas, de se admitir o que é santo, de se confirmar em grupo a união com o Criador é inerente ao homem e como tal mais antiga do que imaginávamos.  Parece apontar, de fato, para o local do nascimento da religião.